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12
dez/2016
Balanço Econômico 2016 e Perspectivas 2017
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Nesta semana, a Unidade de Estudos Econômicos divulgou o Balanço Econômico de 2016 e Perspectivas para 2017. O trabalho consiste na análise da conjuntura econômica de 2016 e na descrição dos nossos cenários prospectivos para 2017. Segue abaixo o Sumário Executivo e as tabelas com previsões. O trabalho completo pode ser obtido no link: http://www.fiergs.org.br/economia/balanço-econômico-e-perspectivas

Fonte/Créditos: www.fiergs.org.br - Unidade de Estudos Econômicos | Sistema FIERGS

 

SUMÁRIO EXECUTIVO


A economia brasileira deve registrar contração de 3,5% em 2016, conforme estimativa da FIERGS/UEE, fechando o segundo ano em recessão. Esta é a crise mais profunda da nossa história: em dois anos o PIB encolheu 7,1% e o número de desempregados chegou a 12 milhões. Conforme a nossa projeção apresentada em 2015, a combinação das crises política e econômica potencializou o cenário já deteriorado dos últimos dois anos, na medida em que todos os setores foram sendo afetados.
Pelo lado positivo, o ano de 2016 foi marcado pela volta da confiança dos empresários e consumidores. Porém, essa melhora não foi acompanhada de aumento na produção e consumo. A demanda manteve-se em queda, pela deterioração no mercado de trabalho. Da mesma forma, os investimentos mantiveram o ritmo de contração por conta da situação financeira muito delicada das empresas e do crédito mais caro e escasso.
A recuperação da confiança é fundamental para que a indústria volte a investir, mas a sustentação desse processo está condicionada à concretização das expectativas geradas pelo novo Governo, da aprovação das medidas de ajuste fiscal e da melhora nas condições financeiras das empresas. O achatamento nas margens de lucro e a dificuldade em obter capital de giro com custo acessível tornam mais difícil a superação do quadro adverso. Os investimentos, vale ressaltar, são importantes não apenas para a retomada do setor, mas para a sua sustentação, via aumento da produtividade.
No Rio Grande do Sul, a retração seguiu o ritmo da economia brasileira e também sofreu com o encolhimento na demanda interna. A queda esperada para o PIB de 2016 no Estado é de 3,2% e todos os setores apresentarão recuo neste ano. Ao todo, o Estado soma 500 mil desempregados.
A indústria gaúcha apresentará a terceira queda anual consecutiva. Essa é a mais longa crise já registrada, com perdas intensas e disseminadas entre os segmentos industriais, muitos atingindo mínimos históricos. A produção física da indústria (IBGE) corrobora esse quadro, mostrando 28 contrações nos últimos 30 meses na comparação entre mês atual e o mesmo mês do ano anterior. Nas crises anteriores, em 2008, a produção gaúcha, nessa base, caiu por 12 meses e em 2005/2006, foram 18 reduções em 20 meses. Desde o início desta crise, o setor acumula queda de 19,8%.
No campo da política e do setor público, também tivemos eventos importantes no Rio Grande do Sul. O aumento do ICMS, a elevada carga tributária e a falta de competitividade foram determinantes para o fechamento de indústrias ou migração de empreendimentos para outros Estados. As medidas encaminhadas pelo Governador Sartori à Assembleia Legislativa representam agora uma sinalização positiva, marcando o início de um processo de readequação do tamanho da máquina pública, maior racionalidade na distribuição dos recursos e busca pelo foco em áreas prioritárias. Entretanto, ressaltamos que o equilíbrio financeiro da máquina estatal do Rio Grande do Sul ainda é uma realidade distante.
No cenário internacional, segundo as estimativas mais recentes do FMI, o PIB global deverá se expandir 3,1% em 2016 e embora positiva, é a taxa mais baixa desde 2009 (-0,1%). Entre os países desenvolvidos, dois foram os destaques: a desaceleração mais intensa do que o esperado da economia americana e a necessidade cada vez mais premente da expansão da liquidez na tentativa de acelerar o crescimento econômico. O cenário composto por taxas de juros negativas e vultosas injeções de liquidez é cada vez mais comum para esse conjunto de nações.
As perspectivas para 2017 apontam para a aceleração do PIB global, oriunda da saída da recessão de importantes países emergentes. Com relação aos desenvolvidos, há incertezas
Dezembro 2016 | Balanço 2016 & Perspectivas 2017 | Unidade de Estudos Econômicos | Sistema FIERGS | 3
relacionadas à magnitude de uma eventual desaceleração causada pelo início dos trâmites referentes à saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e pelas primeiras medidas adotadas por Donald Trump na presidência dos EUA.
No cenário interno, acreditamos que em 2017 a economia brasileira iniciará um lento processo de reabilitação. As taxas de crescimento serão tímidas nos primeiros momentos, mas se persistirmos na busca pelo equilíbrio das contas públicas, o controle da inflação e a melhora no ambiente para trabalhar e empreender, podemos ingressar num novo ciclo de expansão nos próximos anos. Diferentemente das crises anteriores, a atual não foi provocada por choques negativos de eventos ocorridos no exterior. Portanto, a saída passa pela melhora dos fundamentos internos.
O mercado de trabalho ditará o ritmo desta reação. Uma das características do mercado de trabalho brasileiro é a defasagem de resposta aos ciclos econômicos. Esse aspecto decorre, em grande parte, da rigidez da nossa legislação trabalhista. Quando a atividade econômica começa a desacelerar, pode demorar meses para o desemprego começar a aumentar. Da mesma forma, há um atraso de resposta nas retomadas.
Diante dessa conjuntura, o cenário base para 2017 considera que a economia brasileira se estabilizará já nos dois primeiros trimestres do ano e apresentará um pequeno crescimento de 0,5% sobre uma base de comparação deprimida de 2016. A conjuntura do Rio Grande do Sul não difere muito da nacional: a recuperação acompanhará a melhora gradual do cenário, mas também será letárgica, gerando um baixo crescimento de 0,4%. Ainda, se espera que a taxa de inflação (5,5%) fique mais próxima da meta e que os juros mantenham-se em queda (11,50% a.a.).
No cenário superior, o crescimento será determinado pela recuperação acima do esperado dos investimentos e da demanda interna. De fato, é difícil quantificar qual a demanda reprimida após três anos de resultados negativos. Assim, a economia do RS seria puxada pela recuperação mais robusta do cenário nacional.
No cenário inferior não está descartada uma nova queda. A recuperação pode ocorrer tardiamente, levando à estagnação ou à queda anual. Além disso, os riscos políticos ainda estão presentes. No Rio Grande do Sul, mesmo que com baixa probabilidade, existe o temor de que condições climáticas adversas se reflitam numa queda da produtividade na agricultura, o que traria reflexos nas atividades dos demais setores.

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