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21
mai/2015
Fórum de Moda traz as trends inverno 2016 e debate o consumo consciente
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O público conheceu as trends de inverno 2016 e também acompanhou debate sobre o estilo de vida da atualidade

               O 7º Fórum de Moda reuniu mais de cem pessoas no dia 20 de maio de 2015, no auditório da Cic Caxias, em uma oportunidade para ter acesso a trends de passarela e também para um novo olhar sobre o “fazer moda”. Estiveram prestigiando o encontro, os presidentes Sidimar Remussi, do APL Pólo de Moda, e Carlos Araujo, do Fitemasul, empresários do segmento, profissionais criativos e estudantes de Design de Moda. Na abertura, o presidente Thiaraju Barbosa lembrou a importância de existir grupos como o Núcleo de Moda, que se dedica a pesquisa: “A gente usufrui e vive a moda. Nós que estamos no meio temos que aprender a preservar isso”, destacou. A coordenadora do Núcleo de Moda, Cristiane Taufer, disse que é preciso muito empenho e dedicação para criar iniciativas.

Trends Feminino
                O primeiro momento do Fórum foi com a palestra da gerente de contas sênior do Grupo WGSN (World's Global Style Network), Daniela Castello Bernauer. Ela trouxe uma análise de tendências das passarelas femininas e masculinas internacionais de inverno 2016 das cidades de Paris, Londres e Nova York. No feminino, citou o Dark Romance, um visual com tecidos mais luxuosos, antigo e dramático, com estampas papel de parede vitoriano em vestidos longos e grandes, com maxi dresses e floral com fundo mais escuro. O Retro Futurista remete aos anos 60 nas estampas com ondas psicodélicas, curvas hipnóticas, com cores fortes como rosa e laranja, listras na diagonal em vestidos, malhas, overdose de preto e branco e alfaiataria mais contemporânea. O tema urbano lembra os anos 90 e é mais jovem com couro e texturas. As cores revelam tons de macarrons, inspirados nos anos 60, mais doces, no georgette transparente, em um branco mais baunilha, com tons de bege, tons alaranjados, cores de outono com dourado, o vinho em vestidos mais fluidos, o preto com visual dramático e verde em tons escuros.
            Daniela informou que as silhuetas vão ter amarrações e nós com visual feminino para vestidos e em alfaiataria com referência masculina, com cintura para ser feminino, há o shape oval, lady like bem feminino e o uso de calça com vestido longo mais solto. Os dez itens-chave são a parka, o oversize com materiais mais luxuosos como peles no capuz e na gola, a Biker com acabamento brilhante, o vestido romântico, o vestido slim (must have!) com fendas profundas até a coxa, a saia pregada em midi com acabamento em vinil e metalizado, a saia lápis assimétrica com fendas e cintos mais pesados, a camisa com laço visual glamouroso over size, a calça flare em cores fortes e o macacão clássico mais bag em outros tecidos e com amarrações em seda e cetim.

Trends Masculino
            Já o masculino possui referências de aviação e montanhismo com tecidos mais luxuosos. No Dark City desconstrói o formal mais moderno com interferência do punk e muito color block. Os nômades urbanos em multicamadas possuem referências esportivas. Estilo anos 70 é mais minimalista, no styling com detalhes sutis. As cores aparecem em tons de verde e oliva, marrom, cor da cabeça aos pés, cor em um mesmo look, jeans denin em camiseta, jaqueta com detalhe em vermelho, em um visual mais contemporâneo, um verde mais opulento do que o verde militar, ar futurista ao verde militar, tons de amora, o chocolate é uma opção para sair do preto e do branco, um marrom amadeirado bem anos 70, nas malhas e na alfaiataria em visuais mais formais, cinza arquitetônico e laranja.

Brasil Criativo: moda, consciência e felicidade
               O painel “Brasil criativo: moda, consciência e felicidade” iniciou com um vídeo em que o frei Jaime Bettega reflete sobre o consumo consciente. As integrantes do Núcleo de Moda, Luciane Vicenzi e Priscilla Boff Ferronatto, pesquisadoras do Núcleo de Moda (Sindivest), abriram o painel Brasil Criativo com a proposta de compartilhar ideias. Priscilla lembrou que a roupa que a gente usa conta uma história, embora a gente pense na roupa como objeto de consumo, o que demanda uma produção crescente que causa o descarte de roupas. Hoje dez mil peças a cada cinco minutos descartadas na Inglaterra. As estilistas questionaram se chegamos a pensar em quem se envolveu na confecção da roupa. Como o consumo de moda está tão banal quanto um produto de supermercado, elas fizeram uma analogia entre o Fast Food e Fast Fashion: a moda rápida, vazia e que logo é descartada. Assim, a moda é um reflexo do que ocorre na sociedade. Luciane destacou que o Núcleo de Moda acredita que a moda pode ajudar na construção da felicidade e convidou para o debate “Que história a sua roupa conta?” com os convidados especiais chef Charlie Tecchio Colonetti, a estilista Gabriela Basso, a pesquisadora Kalinca Susin e a professora de Design de Moda Bernadete Venzon. 

Convidados compartilham ideias
            O chef Charlie contou sobre o resgate da herança culinária do RS, buscando as raízes do RS. Destacou a influência do slow food da Itália em que o produto regional é transformado, de acordo com a sazonalidade e orgânico. A França, segundo ele, é desenvolvida na área alimentar, e são criados com alimentos naturais desde pequeno, consumindo o que eles mesmos plantam. A estilista Beth Venzon disse que pensar em moda é pensar no que vem amanhã. Comentou que, nos anos 90, com a abertura de mercado, existiu a necessidade de acelerar. A tecnologia fez com que todo mundo tivesse acesso às informações, fazendo com que o tempo fosse acelerado, disse: “Antes o ritmo era menor. A nossa cultura do brasileiro é de olhar pra fora e carregamos culturalmente. Hoje comemoramos o marco dos 140 anos da imigração. Temos uma cultura muito nossa, mas passamos muito tempo sem olhar para ela. Pensamos aqui que é preciso fazer bem feito ou perfeito porque sabemos fazer tão bem quanto os outros. Criar, recriar e remodernizar as coisas”, afirmou. Assim, começamos a olhar de forma diferente no nosso entorno porque temos que mostrar quem somos e a que viemos. Para Beth, é preciso pensar nas nossas raízes e temos uma cartela de cores maravilhosa. Quando se fala em sustentabilidade, é preciso entender em torno de sistemas, de produtos, dos fazeres, dos projetos e para a atenção que se dá as pessoas. Afinal, cada roupa conta uma história. As grandes marcas dão a direção para a moda, mas o encantamento é resultado de uma construção. Finalizou dizendo que a essência é a alma do local.
            Gabriela Basso revelou que a moda mais sustentável é uma decisão pessoal dela: “Preciso revolucionar o nível de ética que eu gostaria, mas eu brigo pela maximização da utilidade da roupa das formas mais variáveis possíveis”. Disse que se não fosse o poder de se manifestar por aquilo que faz, ela já teria parado porque não quer competir com o Fast Fashion. A pesquisadora Kalinca Susin disse que hoje tem um posicionamento crítico voltado aos recursos que são finitos. Para ela, a real sustentabilidade é re-tudo dentro da área em que cada um trabalha enquanto sustentabilidade do planeta. É preciso um debate social público de um reconhecimento da interdependência de que existe uma ecologia social e economia política dentro do olhar de que tudo vai gerar resultados em nossas escolhas pessoais e na maneira em que a gente se organiza, resgatando o uso do tempo para o bem-estar. A proposta de Kalinca é desacelerar, diminuir a escala, trazer para o local. Ela relatou a experiência que teve no Butão sobre medir felicidade considerando o bem-estar das pessoas de acordo com indicadores universais, como consumo, a educação e a saúde. Um parâmetro não convencional é o uso do tempo, dividido entre as coisas que eu faço remuneradas, tarefas não remuneradas e o tempo que eu preciso de descanso para ser saudável. Dessa forma, a vitalidade da comunidade se percebe como algo coletivo, um pensamento sistêmico de interdependência: em um pensar como local. Após o debate houve um bate-papo com os participantes.
                O evento é uma realização do Núcleo de Moda do Sindicato das Indústrias do Vestuário e do Calçado do Nordeste Gaúcho (Sindivest) com apoio da Substância Light e do Projeto Somos Instantes.

Créditos:
Portrait Atelier Fotográfico | Wellington Damin

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